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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Ooops I did it again...

Assumamos, Cavaco Silva não tem mesmo jeitinho nenhum para ser Presidente da República.
Há sempre qualquer coisa de estranho nos seus discursos, principalmente porque fala para não dizer nada em 99,9% dos casos.

Hoje, exaltou os portugueses a defenderem os ideais "republicanos". Exaltou ainda à "transparência na vida pública" e pediu aos portugueses para vencerem a tendência de se lamentarem "de tudo e de todos" . Enfim, por mais que queiramos ter boa-vontade - este é mais um discurso cujo sentido se perde na mensagem que procura transmitir. Um discurso de um presidente quer-se claro, apaziguador, tranquilo... tem de ser uma mensagem que atinja todos os portugueses, que os inspire, que os mobilize... E nisso, mais uma vez, este discurso falha.

Sobretudo porque não passa de um chorrilho de lamentações e de mensagens sobretudo à nossa classe política. Sobretudo, porque ao fazer este chorrilho de mensagens, Cavaco mais uma vez procura interferir na vida política portuguesa, apesar de afirmar a pés juntos que essa não é a sua intenção.

Ainda, os portugueses não precisam de lições de moral mal dadas. Como pode Cavaco falar em transparência na vida pública se ele mesmo proferiu um dos discursos mais insinuantes, ambíguos e encriptados da vida pública portuguesa ainda há duas semanas?

A única conclusão que se pode tirar dos discursos de Cavaco é que este não é um bom Presidente.

Se pensava redimir-se com este discurso, mais uma vez, falhou.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A montanha vai parir um rato.




Sob pena de cair em chavões, parece que é isso mesmo que vai acontecer - prevejo um discurso críptico da parte de Cavaco Silva, que não se pode comprometer muito desta vez. Cavaco, ao escolher falar apenas após as eleições, acabou por atar as suas próprias mãos, porque neste momento tem de lidar com um Sócrates legitimado pelo povo, e que terá forçosamente de convidar para constituir Governo.


Obviamente não houve escutas nenhumas, atestado disso é a demissão do seu assessor (ou afastamento, o que quiserem chamar, não interessa...) pelo uso indevido do nome do Presidente da República ...


Resta saber se não passou tudo de uma grande paranóia colectiva ou se houve uma tentativa deliberada de prejudicar Sócrates.


Porém, não se exaltem! Amanhã, a montanha parirá um rato. Ficaremos todos na mesma.... por isso não criem muitas expectativas.


Haveria uma forma de sair em grande desta alhada ... mas apenas se Cavaco estivesse à altura - que seria fazer um discurso finalmente "verdadeiro" sobre a grande fantochada que foram as eleições, muito à custa de todas estas fantochadas mediáticas sem validade nenhuma.


P.S. Saia o que sair do discurso do presidente, vai ser delicioso ler o editorial de José Manuel Fernandes do Público no day after.