Assumamos, Cavaco Silva não tem mesmo jeitinho nenhum para ser Presidente da República.
Há sempre qualquer coisa de estranho nos seus discursos, principalmente porque fala para não dizer nada em 99,9% dos casos.
Hoje, exaltou os portugueses a defenderem os ideais "republicanos". Exaltou ainda à "transparência na vida pública" e pediu aos portugueses para vencerem a tendência de se lamentarem "de tudo e de todos" . Enfim, por mais que queiramos ter boa-vontade - este é mais um discurso cujo sentido se perde na mensagem que procura transmitir. Um discurso de um presidente quer-se claro, apaziguador, tranquilo... tem de ser uma mensagem que atinja todos os portugueses, que os inspire, que os mobilize... E nisso, mais uma vez, este discurso falha.
Sobretudo porque não passa de um chorrilho de lamentações e de mensagens sobretudo à nossa classe política. Sobretudo, porque ao fazer este chorrilho de mensagens, Cavaco mais uma vez procura interferir na vida política portuguesa, apesar de afirmar a pés juntos que essa não é a sua intenção.
Ainda, os portugueses não precisam de lições de moral mal dadas. Como pode Cavaco falar em transparência na vida pública se ele mesmo proferiu um dos discursos mais insinuantes, ambíguos e encriptados da vida pública portuguesa ainda há duas semanas?
A única conclusão que se pode tirar dos discursos de Cavaco é que este não é um bom Presidente.
Se pensava redimir-se com este discurso, mais uma vez, falhou.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
Mas o que é que é isto, pá?
Pelos vistos, Manuela Ferreira Leite, a grande perdedora da noite de 27 de Setembro, ainda não aprendeu a lição. A lição é muito simples - não é com arrogância e/ou com ódio politico-partidário que o PSD renascerá.
Este tipo de declarações, a meu ver, apenas arruinam ainda mais o estado já péssimo em que se encontra o principal partido da direita portuguesa. Em primeiro lugar, porque não se encontram em posição de transmitir recados deste tipo ao PS, recados cujo único efeito que têm é transmitir aos portugueses o grande ressabiamento que deve andar por ali. E finalmente, porque Manuela Ferreira Leite foi a GRANDE perdedora das eleições de 27 de Setembro. Dela, os portugueses em geral, e os votantes no PSD em particular, precisam de ouvir um discurso um pouco diferente. Porque ninguém quer mais do mesmo, querem mesmo mudança no seio do partido, como é patente nos fracos resultados do partido
Compreendemos que estamos ainda na campanha das Autárquicas. Mas este tipo de declarações da futura ex-líder do PSD só lhe ficam mal. E era esta mulher que queriam como primeira-ministra...
Este tipo de declarações, a meu ver, apenas arruinam ainda mais o estado já péssimo em que se encontra o principal partido da direita portuguesa. Em primeiro lugar, porque não se encontram em posição de transmitir recados deste tipo ao PS, recados cujo único efeito que têm é transmitir aos portugueses o grande ressabiamento que deve andar por ali. E finalmente, porque Manuela Ferreira Leite foi a GRANDE perdedora das eleições de 27 de Setembro. Dela, os portugueses em geral, e os votantes no PSD em particular, precisam de ouvir um discurso um pouco diferente. Porque ninguém quer mais do mesmo, querem mesmo mudança no seio do partido, como é patente nos fracos resultados do partido
Compreendemos que estamos ainda na campanha das Autárquicas. Mas este tipo de declarações da futura ex-líder do PSD só lhe ficam mal. E era esta mulher que queriam como primeira-ministra...
A raça dos "bufos"
Em Portugal possuímos uma das características mais caricatas de qualquer democracia europeia - a raça dos "bufos".
No nosso país, a proliferação desta raça é fruto de várias décadas de repressão, que proporcionaram um ambiente propício ao aparecimento e respectiva proliferação dos bufos, fenómeno que nem mesmo os nossos 30 anos de democracia conseguiram controlar.
Em Portugal, qualquer Zé Pacóvio (neste caso até é uma Josefina Pacóvia, mas isso não interessa) pode vir a público acusar altas figuras públicas do nosso país de forma totalmente impune. Aliás, em relação diametralmente oposta àquilo que uma sociedade madura e racional deveria fazer, que seria criticar e contestar as acusações - normalmente estas acusações em praça pública até são bem recebidas pela população em geral e apadrinhadas pelos nossos media, que as transformam em telenovelas mediáticas, muito ao estilo daquilo que se lê nas revistas cor-de-rosa que abundam pelo país.
Há muito pouco mais a dizer em relação à historieta da Cova da Moura... infelizmente para os detractores de José Sócrates isto não passa mesmo de uma telenovela mediática baseada nas afirmações de uma tal de "fulana de tal" da qual nunca ouvi falar, e de quem, muito sinceramente, nunca hei-de querer ouvir.
Enquanto em Portugal "fulanos-de-tal" tiverem este tipo poder "bufo", estamos mal. Muito mal.
No nosso país, a proliferação desta raça é fruto de várias décadas de repressão, que proporcionaram um ambiente propício ao aparecimento e respectiva proliferação dos bufos, fenómeno que nem mesmo os nossos 30 anos de democracia conseguiram controlar.
Em Portugal, qualquer Zé Pacóvio (neste caso até é uma Josefina Pacóvia, mas isso não interessa) pode vir a público acusar altas figuras públicas do nosso país de forma totalmente impune. Aliás, em relação diametralmente oposta àquilo que uma sociedade madura e racional deveria fazer, que seria criticar e contestar as acusações - normalmente estas acusações em praça pública até são bem recebidas pela população em geral e apadrinhadas pelos nossos media, que as transformam em telenovelas mediáticas, muito ao estilo daquilo que se lê nas revistas cor-de-rosa que abundam pelo país.
Há muito pouco mais a dizer em relação à historieta da Cova da Moura... infelizmente para os detractores de José Sócrates isto não passa mesmo de uma telenovela mediática baseada nas afirmações de uma tal de "fulana de tal" da qual nunca ouvi falar, e de quem, muito sinceramente, nunca hei-de querer ouvir.
Enquanto em Portugal "fulanos-de-tal" tiverem este tipo poder "bufo", estamos mal. Muito mal.
sábado, 3 de outubro de 2009
Irlanda diz sim ao Tratado de Lisboa
Não foi à primeira, é certo, mas a Irlanda lá venceu a campanha do medo em volta do "Não" ao Tratado de Lisboa...
Mais informados e mais conhecedores, os irlandeses deram o seu aval ao Tratado, que falta apenas ser ratificado pela Polónia (que já assumiu que o faria se o "Sim" ganhasse na Irlanda) e a República Checa.
É definitivamente uma vitória da Europa. Uma Europa mais unida, mais forte, mais pujante e mais capaz de lidar com o Mundo contemporâneo..
Viva a Europa Unida!
Mais informados e mais conhecedores, os irlandeses deram o seu aval ao Tratado, que falta apenas ser ratificado pela Polónia (que já assumiu que o faria se o "Sim" ganhasse na Irlanda) e a República Checa.
É definitivamente uma vitória da Europa. Uma Europa mais unida, mais forte, mais pujante e mais capaz de lidar com o Mundo contemporâneo..
Viva a Europa Unida!
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
A grande diferença entre José Sócrates e Cavaco Silva.
Sabem qual é a grande diferença entre José Sócrates e Cavaco Silva?
É que José Sócrates nunca teria feito o discurso pobre, mal feito, cheio de ambiguidades e parcialismos(ao contrário do que Cavaco afirmou no próprio discurso, aliás) que proferiu Cavaco.. e isso faz toda a diferença.. a um político exige-se que seja capaz de produzir um discurso claro, corrido e inteligente, coisa aliás, em que Sócrates é Rei. Sócrates tem sido aliás bastante cívico e educado neste tema, como lhe é característico quando fala de assuntos institucionais, tentando não dizer muito sobre o assunto. Aqui se vê a diferença entre um bom e um mau político. Aprenda Cavaco.
Em relação às declarações do PS, acho que foram sensatas, claras, e serenas. Obviamente que as "escutas" são um caso de paranóia colectiva com que foi acometida a assessoria de Cavaco, e o próprio Cavaco.
Cavaco ao proferir o seu discurso acabou por não ter o papel que lhe cumpria enquanto Presidente, o de mediação, e apaziguação. Fez um discurso insensato, parcial, e acusatório, algo que não compete ao Presidente. Cavaco esteve, nesta noite, muito, mas muito mal.
É que José Sócrates nunca teria feito o discurso pobre, mal feito, cheio de ambiguidades e parcialismos(ao contrário do que Cavaco afirmou no próprio discurso, aliás) que proferiu Cavaco.. e isso faz toda a diferença.. a um político exige-se que seja capaz de produzir um discurso claro, corrido e inteligente, coisa aliás, em que Sócrates é Rei. Sócrates tem sido aliás bastante cívico e educado neste tema, como lhe é característico quando fala de assuntos institucionais, tentando não dizer muito sobre o assunto. Aqui se vê a diferença entre um bom e um mau político. Aprenda Cavaco.
Em relação às declarações do PS, acho que foram sensatas, claras, e serenas. Obviamente que as "escutas" são um caso de paranóia colectiva com que foi acometida a assessoria de Cavaco, e o próprio Cavaco.
Cavaco ao proferir o seu discurso acabou por não ter o papel que lhe cumpria enquanto Presidente, o de mediação, e apaziguação. Fez um discurso insensato, parcial, e acusatório, algo que não compete ao Presidente. Cavaco esteve, nesta noite, muito, mas muito mal.
Quem é, afinal, Cavaco Silva?
Face ao pobre discurso do Presidente, que se não fosse tão sério, até seria uma verdadeira comédia, gostaria de dizer mais o seguinte:
- Vimos um homem, que se diz imparcial (e que deveria sê-lo pelo cargo que ocupa), defender claramente os interesses do PSD e fazer ataques ao governo (um Presidente NÃO PODE fazer isto!)
- Vimos um homem que leu um texto que um qualquer dos seus assessores escreveu, texto que leu de forma aliás errada, um discurso que duvido corresponda de facto ao que ele "pensa" se é que ele "pensa" alguma coisa neste momento (ficou a dúvida)
-Vimos um homem dizer que não gosta de ser incomodado nas suas férias por membros do governo, quando em Portugal há gente que se mata a trabalhar para lhe pagar aquele salário.
-Vimos um analfabeto funcional admitir em público que não percebe nada de "emails" ou dessas modernices produzir afirmações estapafúrdias sobre segurança em sistemas informáticos, que se não viesse de onde vem, até poderia ser de rir até cair.
Enfim, ainda há gente que se queixa do RSI, que muito boa gente recebe, andamos nós aqui a sustentar este verdadeiro mandrião com um salário 30 mil vezes superior ao RSI, que quer é estar na sua casa no Algarve e que o deixem em paz.
Infelizmente este homem de que vos escrevo é Cavaco Silva, o nosso Presidente da República, que pelo cargo que ocupa muita gente leva a sério... e isso indigna-me profundamente.
- Vimos um homem, que se diz imparcial (e que deveria sê-lo pelo cargo que ocupa), defender claramente os interesses do PSD e fazer ataques ao governo (um Presidente NÃO PODE fazer isto!)
- Vimos um homem que leu um texto que um qualquer dos seus assessores escreveu, texto que leu de forma aliás errada, um discurso que duvido corresponda de facto ao que ele "pensa" se é que ele "pensa" alguma coisa neste momento (ficou a dúvida)
-Vimos um homem fazer insinuações brutais numa época difícil em que o país passará a ter um novo governo.
-Vimos um homem dizer que não gosta de ser incomodado nas suas férias por membros do governo, quando em Portugal há gente que se mata a trabalhar para lhe pagar aquele salário.
-Vimos um analfabeto funcional admitir em público que não percebe nada de "emails" ou dessas modernices produzir afirmações estapafúrdias sobre segurança em sistemas informáticos, que se não viesse de onde vem, até poderia ser de rir até cair.
Enfim, ainda há gente que se queixa do RSI, que muito boa gente recebe, andamos nós aqui a sustentar este verdadeiro mandrião com um salário 30 mil vezes superior ao RSI, que quer é estar na sua casa no Algarve e que o deixem em paz.
Infelizmente este homem de que vos escrevo é Cavaco Silva, o nosso Presidente da República, que pelo cargo que ocupa muita gente leva a sério... e isso indigna-me profundamente.
E a montanha pariu o rato (palminhas, palminhas!!)
Afinal eu tinha razão! (é sempre bom saber que se tem razão!)
Cavaco Silva produziu um discurso críptico, sem qualquer valor factual, a não ser a confirmação de que também ele foi acometido pela doença da "paranóia colectiva", que pelos vistos afectou metade da sua Casa Civil, e ainda mais alguns direitistas de carteirinha, para além dele próprio obviamente.
Mas vamos por partes - primeiro vamos aos factos:
1) Cavaco confirma que o seu nome foi utilizado indevidamente por Fernando Lima e daí vem o seu afastamento;
2) Não houve escutas nenhumas, apenas uma TOTAL e COMPLETA crise paranóica.
Estes são os únicos dois factos que se podem retirar das declarações do Presidente.
Em seguida, vamos procurar analisar algumas das afirmações do Nosso Presidente contidas na sua declaração de hoje:
a) O primeiro facto que aprendemos foi que o Sr. Presidente foi profundamente incomodado nas suas férias, por uns tipos horríveis do PS, como se isso não fizesse parte do seu cargo. Esta afirmação denota arrogância e pretenciosismo, e até mesmo preguiça. Cavaco foi eleito para estar SEMPRE disponível para os portugueses.
b) Cavaco Silva acusou o PS de o procurar "encostar" ao PSD. Hello, Cavaco???? Ninguém precisa de o encostar ao PSD, todos nós sabemos que o sr. É do PSD, se não mesmo que É o PSD ou, pelo menos, foi o PSD. Se de facto foi confrontado por membros do PS para se pronunciar, porque não ignorou simplesmente o facto, ou os convocou para se explicarem, ou convocou até mesmo uma conferência de imprensa? O ultimato de que fala parece-me um exagero disparatado, o Sr. Presidente não é obrigado obviamente a responder a nada. Esta afirmação denota um profundo mal-estar com a presença de um partido que não o seu no governo.
c) Fala da tentativa de o puxar para a propaganda politico-partidária e de tentarem manipular a opinião pública, mas a manchete do Público de 18 de Agosto não teve o mesmo efeito, se não mesmo pior? Porque preferiu omitir por completo o comportamento do jornal o Público? Teve algo a ver com a publicação desta notícia? Esta afirmação denota parcialidade por parte do Presidente da República.
d) Afirma que não há crime em alguém sentir "desconfiança" das afirmações de outrém. Ora, da mesma forma que não há crime em se sentir desconfiança das afirmações de outrém, também não há crime em que esse outrém se defenda das acusações de desconfiança, e queira limpar o seu bom nome! Esta afirmação é aliás um pouco pobre e supérflua. Utilizar do senso-comum popular não fica bem a um Presidente, do qual se exige um discurso mais elevado e racional. Esta afirmação denota falta de nível intelectual por parte do Presidente da República
e) Afirma ainda que existem "vulnerabilidades" no sistema informático de Belém... Nas afirmações que fez fica evidente que o Sr. Presidente da República deve entender muito pouco se não mesmo NADA de informática, de emails, etc. Não que seja grave, mas se não percebe nada, mais vale ficar calado. O que tem a ver a circulação de um email interno do Público com a vulnerabilidade ou não do sistema informático de Belém????
f) O presidente afirma que deixou para depois das eleições de domingo as pretensas "explicações" para evitar interferir na campanha eleitoral - apesar de o fazer agora acabando por interferir noutra campanha eleitoral. Será que o Sr. Presidente, que devia de facto ser isento, acha que as Autárquicas não são igualmente importantes para o "Superior Interesse Nacional"? Se o Sr. Presidente acha que trazer este assunto para a comunicação social no passado mês de Agosto foi uma tentativa de manipulação, não podem ser as suas declarações de agora uma evidente tentativa de manipulação também do acto eleitoral que se avizinha? Isto é muito grave.
Finalmente, muito ficou por explicar e, principalmente, o que fica do discurso e do comportamento de Cavaco, é que não é de facto imparcial como afirma ser, e que permite uma ligação "perigosa" entre os seus assessores e a Imprensa, em nome de uma pretensa "lealdade" que tem a esses mesmos assessores, e que devia estar abaixo dos interesses da Nação.
Outra palavra que ficou totalmente ausente no seu discurso foi a palavra "escutas"...
Enfim, a montanha pariu o rato, lá no PSD e nos sindicatos de profes bateram todos muitas palminhas e a telenovela continua... mais uma vez em prol dos verdadeiros problemas da nação e dos problemas das localidades.
Sobretudo, o comportamento de Cavaco ficou muito aquém daquele que deve ser o comportamento de um Presidente da República. Cavaco deu uma no cravo, outra na ferradura. Se por um lado diz que opta por não interferir na campanha política, este discurso demonstra que não tem quaisquer problemas em interferir directamente na política (mesmo que não na campanha legislativa, e apesar de o fazer em plena campanha para as Autárquicas) nacional, ao demonstrar parcialidade e ambiguidade nas suas declarações e ao atacar directamente membros do partido de Governo, que terá de convidar a formar novo Governo daqui a duas semanas.
Que saudades de Jorge Sampaio!
Cavaco Silva produziu um discurso críptico, sem qualquer valor factual, a não ser a confirmação de que também ele foi acometido pela doença da "paranóia colectiva", que pelos vistos afectou metade da sua Casa Civil, e ainda mais alguns direitistas de carteirinha, para além dele próprio obviamente.
Mas vamos por partes - primeiro vamos aos factos:
1) Cavaco confirma que o seu nome foi utilizado indevidamente por Fernando Lima e daí vem o seu afastamento;
2) Não houve escutas nenhumas, apenas uma TOTAL e COMPLETA crise paranóica.
Estes são os únicos dois factos que se podem retirar das declarações do Presidente.
Em seguida, vamos procurar analisar algumas das afirmações do Nosso Presidente contidas na sua declaração de hoje:
a) O primeiro facto que aprendemos foi que o Sr. Presidente foi profundamente incomodado nas suas férias, por uns tipos horríveis do PS, como se isso não fizesse parte do seu cargo. Esta afirmação denota arrogância e pretenciosismo, e até mesmo preguiça. Cavaco foi eleito para estar SEMPRE disponível para os portugueses.
b) Cavaco Silva acusou o PS de o procurar "encostar" ao PSD. Hello, Cavaco???? Ninguém precisa de o encostar ao PSD, todos nós sabemos que o sr. É do PSD, se não mesmo que É o PSD ou, pelo menos, foi o PSD. Se de facto foi confrontado por membros do PS para se pronunciar, porque não ignorou simplesmente o facto, ou os convocou para se explicarem, ou convocou até mesmo uma conferência de imprensa? O ultimato de que fala parece-me um exagero disparatado, o Sr. Presidente não é obrigado obviamente a responder a nada. Esta afirmação denota um profundo mal-estar com a presença de um partido que não o seu no governo.
c) Fala da tentativa de o puxar para a propaganda politico-partidária e de tentarem manipular a opinião pública, mas a manchete do Público de 18 de Agosto não teve o mesmo efeito, se não mesmo pior? Porque preferiu omitir por completo o comportamento do jornal o Público? Teve algo a ver com a publicação desta notícia? Esta afirmação denota parcialidade por parte do Presidente da República.
d) Afirma que não há crime em alguém sentir "desconfiança" das afirmações de outrém. Ora, da mesma forma que não há crime em se sentir desconfiança das afirmações de outrém, também não há crime em que esse outrém se defenda das acusações de desconfiança, e queira limpar o seu bom nome! Esta afirmação é aliás um pouco pobre e supérflua. Utilizar do senso-comum popular não fica bem a um Presidente, do qual se exige um discurso mais elevado e racional. Esta afirmação denota falta de nível intelectual por parte do Presidente da República
e) Afirma ainda que existem "vulnerabilidades" no sistema informático de Belém... Nas afirmações que fez fica evidente que o Sr. Presidente da República deve entender muito pouco se não mesmo NADA de informática, de emails, etc. Não que seja grave, mas se não percebe nada, mais vale ficar calado. O que tem a ver a circulação de um email interno do Público com a vulnerabilidade ou não do sistema informático de Belém????
f) O presidente afirma que deixou para depois das eleições de domingo as pretensas "explicações" para evitar interferir na campanha eleitoral - apesar de o fazer agora acabando por interferir noutra campanha eleitoral. Será que o Sr. Presidente, que devia de facto ser isento, acha que as Autárquicas não são igualmente importantes para o "Superior Interesse Nacional"? Se o Sr. Presidente acha que trazer este assunto para a comunicação social no passado mês de Agosto foi uma tentativa de manipulação, não podem ser as suas declarações de agora uma evidente tentativa de manipulação também do acto eleitoral que se avizinha? Isto é muito grave.
Finalmente, muito ficou por explicar e, principalmente, o que fica do discurso e do comportamento de Cavaco, é que não é de facto imparcial como afirma ser, e que permite uma ligação "perigosa" entre os seus assessores e a Imprensa, em nome de uma pretensa "lealdade" que tem a esses mesmos assessores, e que devia estar abaixo dos interesses da Nação.
Outra palavra que ficou totalmente ausente no seu discurso foi a palavra "escutas"...
Enfim, a montanha pariu o rato, lá no PSD e nos sindicatos de profes bateram todos muitas palminhas e a telenovela continua... mais uma vez em prol dos verdadeiros problemas da nação e dos problemas das localidades.
Sobretudo, o comportamento de Cavaco ficou muito aquém daquele que deve ser o comportamento de um Presidente da República. Cavaco deu uma no cravo, outra na ferradura. Se por um lado diz que opta por não interferir na campanha política, este discurso demonstra que não tem quaisquer problemas em interferir directamente na política (mesmo que não na campanha legislativa, e apesar de o fazer em plena campanha para as Autárquicas) nacional, ao demonstrar parcialidade e ambiguidade nas suas declarações e ao atacar directamente membros do partido de Governo, que terá de convidar a formar novo Governo daqui a duas semanas.
Que saudades de Jorge Sampaio!
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