sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O EMBARAÇO DO PÚBLICO

O Público. O meu jornal. O MEU jornal. O mesmo que eu sempre trouxe debaixo do braço, o mesmo que me acompanhou online nas minhas viagens, o mesmo que me mostrou o mundo e o país.

Este era o MEU JORNAL PÚBLICO.


Público, Público, Que te aconteceu?


Estou triste, muito triste. Foi o meu jornal durante anos a fio.

Falta de sentido de oportunidade ...

Noticia o Público que os bolseiros de investigação se vão manifestar já na próxima quarta-feira em frente à Assembleia da República, exigindo um aumento das bolsas e diminuição da precariedade das bolsas (acesso à Segurança Social, ou 13º mês, por exemplo).

Apesar de concordar com as reivindicações, ou não tivesse eu também sido um bolseiro no passado, discordo completamente do timing escolhido para o efeito.

Desta forma aquilo que deveria passar como uma vontade séria de lutarem pelo fim à precariedade, a "luta dos bolseiros" será apenas uma voz na campanha, perder-se-á no meio de tantas outras que por aí andam agora.

E tenho pena disso, claro.

De salientar que estou quase em total acordo com a política de incentivo a bolsas da FCT/Ministério da Ciência. Convenhamos que os valores das bolsas são, mesmo sem aumentos há 8 anos, ainda competitivos a nível europeu em termos de valor total, por exemplo.

Apesar de não discordar que algum tipo de regime com a Segurança Social deveria ser acordado, como é o caso de inúmeros países incluindo recentemente a Espanha.

Uma das políticas seguidas foi atribuir o maior número de bolsas ao maior número de candidatos possível - com mérito suficiente para destas usufruírem - a pergunta no entanto fica, diminuir os números de bolseiros a quem é atribuida bolsa do género anualmente, ou aumentar os valores? Fica a pergunta. Por um lado se aumentam o valor das bolsas menos oportunidades ficarão para outros jovens que delas queiram usufruir, por outro os jovens que dela usufruem têm de facto direito a Segurança Social como qualquer outro trabalhador. Penso que a solução estará algures no meio termo, e estou seguro que no futuro as coisas se modificarão.

O Porto do PSD...



Em notícia divulgada hoje no DN, aprendemos algo triste e desesperante, que no fundo já todos sabíamos, mas que procurávamos que nos passasse ao lado, e que é o agoniante abandono das grandes cidades (neste caso o Porto) em prol dos subúrbios circundantes. Se o caso em Lisboa é preocupante, no Porto é exasperante.

Por razões associadas à sua própria área enquanto concelho, até à forma como está organizada a Área Metropolitana do Porto (com o Porto de mar em Matosinhos e o Aeroporto na Maia, por exemplo) o êxodo em massa das classes médias dos centros para a periferia fizeram do Porto uma cidade deserta... onde é por vezes de facto triste caminhar.

Rui Rio pouco fez, tem feito, ou fará para inverter esta tendência, porque convenhamos Rui Rio não faz absolutamente nada, é um homem sem visão, sem mensagem, sem ideias. Pergunto-me às vezes o que de facto fará este homem quando se senta na cadeira da Presidência de Câmara...

O Porto é a segunda cidade do país e necessita de alguém com visão, com dinamismo, com capacidade de modernizar a cidade e voltar a atrair para ela investimento e pujança. Obviamente que o Porto tem de estar e estará provavelmente ainda mais integrado na respectiva Área Metropolitana.

Mas custa perceber às vezes como é possível os grandes centros comerciais da periferia estarem a abarrotar de gente, enquanto que zonas nobres da cidade, como a Praça da República, entre outras, chegando as 8 horas da noite, fiquem completamente desertas.

O Porto precisa deste investimento em transportes. No âmbito da modernização da UE na melhoria da mobilidade dos seus cidadãos, a cidade precisa de se impor e de se colocar no mapa. Desta forma, a ligação TGV Porto-Vigo é essencial (com estação no Aeroporto), assim como a ligação Porto-Lisboa, que será dentro de poucos anos a Artéria Aorta seguramente das conexões entre as duas grandes cidades, a Artéria Aorta do país.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Escândalos




Aparentemente, o Diário de Notícias apurou, através de documentos, que o caso de escutas do Gabinete do Presidente da República foi encomendado pelo próprio assessor ao editor do jornal Público!


O jornal o PUBLICO ainda não referiu a dita notícia, sendo que a última notícia sobre o PSD refere apenas o facto de que a Procuradoria-Geral da República decidiu não investigar o caso das compras de votos nas distritais do Partido Social-Democrata.


Ainda não tive tempo de ler a edição impressa do Diário de Notícias... mas a confirmar-se esta notícia, fica provada a minha tese de "desinformação" pegada a que nos habituou a direita populista de Portugal. Tenho vindo a defender esta tese neste blogue e arriscando parecer pretencioso vou-me dar razão a mim mesmo.


Escrevi aqui há dias sobre o tipo de propaganda "à Administração Bush" que andam a fazer os partidos da direita portuguesa, que me parecia evidente pela forma como procuravam usar a comunicação social para transmtir uma imagem de que eram os bons, os heróis, os honestos, a lutar contra os "pérfidos", "sinistros", "malignos" e "anti-democráticos" socialistas. Não ver nisto uma analogia directa com a tese do "bom americano" contra o "pérfido terrorista" é, pelo menos acredito eu, ser ceguinho.


Sendo assim, a vir confirmar-se esta notícia, demonstra-se que houve uma intenção CLARA de manipulação de informação de forma a tentar denegrir a imagem do Partido Socialista.


A que ponto vamos chegar, meus meninos, e minhas meninas? Chega de sujeiras.

Quase um terço dos portugueses prefere o PS na Educação.

Segundo noticia o JN, quase um terço dos portugueses optaria pelas políticas socialistas para a Educação, segundo as sondagens recentemente divulgadas.

Ainda, aprendemos que o PS aparece como preferencial em quase todas as áreas, sendo que apenas "perde" na área da Segurança (supreendidos? eu não).

Mais ainda, de salientar o facto de em muitos dos temas haver empate técnico , o que confirma o estado de divisão em que o país se encontra.

Que conclusões tirar disto? Francamente, não sei.. e digo-o sem ironias...

Ainda, sobre as sondagens.

Sondagens valem o que valem, como referido anteriormente, e não quero continuar a debater muito mais o assunto... mas como me parece que foi o assunto "quente" deste dia de campanha gostaria de dizer algo mais sobre este assunto.

Pelo que tenho percebido, tanto na blogosfera, como nos comentários dos jornais, como na própria televisão, existe um sentimento de incredulidade em relação a estas previsões por parte de algumas pessoas que, a meu ver, estão a deixar há muito que a sua arrogância fale por elas.

Já todos sabemos que o Engº Sócrates é odiado por muita gente. É verdade. Digamo-lo então alto e bom som. Existe um sector da Sociedade portuguesa que radicalizou nesse sentido e se tornou extremamente sectária, ao ponto de não conseguir sequer acreditar na possível vitória socialista no dia 27. Estes portugueses radicalizaram a tal ponto que inclusive já li que lhes custa acreditar que haja alguém que vote PS no dia 27, numa atitude de arrogância extrema, de negação de uma visão diferente da deles (apesar de quererem impor a sua visão).

Eu penso que isto são reaccões emotivas que deveriam ser minimizadas. Em épocas de grande rescaldo político, é bom manter um nível aceitável de sangue frio e acima de tudo, ser capaz de ouvir o que os outros nos têm para dizer.

E é aqui que eu acho que estou em desacordo com estes portugueses, cuja arrogância sectária não permite ver que haja OUTROS portugueses que pensam de forma diferente, e que acham que a vitória de Sócrates nas próximas legislativas é extremamente positiva para Portugal.

Respeitem-nos.

Pensamos diferente de vocês é certo. Mas aceitem. Aceitem que haja quem defenda e GOSTE de Sócrates.

Ponham isso nas vossas cabeças, porque viemos para ficar, e queremos que ele GANHE.

As duas visões para Portugal




Pelos vistos o tema veio para ficar. Porque, no fundo o TGV se tornou no grande símbolo das diferenças que dividem as duas grandes linhas que estão em jogo para Portugal a partir de 27 de Setembro de 2009, e das quais Portugal seguirá apenas uma.

Por um lado, aquilo a que vou chamar de visão "Socrática", que visa combater o subdesenvolvimento e o atraso do nosso país com grandes políticas de investimento público que incluem entre outras e não só - o TGV, a terceira ponte sobre o Tejo, o novo aeroporto de Lisboa ... esta política encontra-se em linha com a conjuntura política internacional - é certo e sabido que à esquerda e à direita, tem sido este o rumo defendido pelos executivos por esse mundo fora, desde a América de Obama (que pretende até criar um Serviço Nacional de Saúde, pasme-se! Algo que se nos dissessem há 5 anos certamente não acreditaríamos), à Alemanha de Merkl, passando pelas políticas defendidas pelo executivo japonês, entre outras que não interessa para aqui agora, porque compreendem aonde quero chegar.

Por trás desta política encontra-se o descontentamento geral que as chamadas políticas neo-liberais têm levantado(políticas que preconizavam o fim da interferência dos governos em assuntos "privados": tanto a nível social como a nível económico) . Esta crítica a estas políticas surge como fruto da grande crise mundial a que assistimos. Todos são unânimes em compreender que estas políticas estão em grande parte na base da péssima conjuntura económica em que vivemos. Num artigo recente do "The Economist" assistimos mesmo a um facto histórico e provavelmente único da história deste semanário, em que no Editorial se defendia o chamado "modelo francês", um modelo a que o "The Economist" nunca poupou críticas (porque a França sempre teve uma política de regulamentação do Estado sobre a economia desalinhada com o chamado modelo "anglo-saxão"). Os próprios admitiam nesse editorial, com um certo humor, que era a primeira vez que o faziam.

E de facto, a verdade é, que quando a crise financeira rebentou, a quem recorreram as grandes corporações se não aos respectivos governos? Desde os anos 70 que não havia tantas nacionalizações como agora, por exemplo.

Podemos então concluir, e voltando agora ao caso português, que esta visão "Socrática" tem inúmeras vantagens. Não só está em alinhamento com as políticas seguidas pelos principais países industrializados (e isto é importante, quer se queira, quer não), como, no caso português, se reveste de uma urgência ainda maior do que a que tem porventura noutros países. Num tecido empresarial entorpecido e tradicionalista, as grandes políticas públicas permitirão também uma mudança radical de mentalidades, capazes de dar o exemplo em matérias desta importância, demonstrando que o investimento em novas tecnologias ou em áreas desconhecidas até agora pelo tecido empresarial português trazem benefícios e sustentabilidade. Conjuguemos isto com uma política de incentivo às energias renováveis, uma política de ensino regrada e eficaz, e uma política a que chamarei de "abertura social", e combateremos também três das grandes enfermidades portuguesas da modernidade:

- a eterna dependência do petróleo, que corresponde a mais de 50% da nossa dívida externa;
- as parcas qualificações dos nossos cidadãos;
- a repressão e negação de liberdades da nossa sociedade, que advém do nosso passado tradicionalista .

Isto permitirá quebrar o ciclo económico português em que vivemos desde os anos 50, como já referi anteriormente. De uma forma muito resumida, Portugal precisa de retirar de si a etiqueta de país de mão-de-obra barata e de baixas qualificações, e recolocar-se uma etiqueta de país investidor em áreas de ponta e em novas tecnologias. Penso que é claro que esta política terá vantagens decisivas para o futuro do nosso país.

Por outro lado, vejamos o que está na outra grande linha "ideológica" das duas que referi no início do texto. Para evitar ser chamado de sectarista, não a vou chamar de visão "leiteira". No entanto, assumo que tenho dificuldades em dar-lhe um nome que pegue. Penso que me vou ficar por agora por "segunda visão" por falta de nome mais conveniente.

A visão defendida por muitos portugueses, e que tem neste momento como principais figuras Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas (entre outras claro), é muito simples. A nível financeiro, os seus traços são um decalcamento exacto das políticas neo-liberais que referi anteriormente - diminuição drástica do Estado Social, da influência do Estado nas decisões empresariais e corporativas, diminuição da carga fiscal ao mínimo, e benesses para grandes fortunas. Parece-me ser uma política que vem com cinco anos de atraso em primeiro lugar. Em segundo lugar, estes cinco anos de atraso ( talvez dez!) demonstraram a sua ineficácia : então não foi graças a esta política que a crise financeira rebentou? Nunca percebi a insistência dos partidos populistas portugueses nestas matérias. Apesar de ser certo e sabido que a nossa direita sempre admirou e procurou à sua medida imitar as políticas estado-unidenses, especialmente as do partido Republicano, já desde a altura do Estado Novo de Salazar, custa a perceber porque insistem numa política que está a viver um dos períodos mais negros de sempre na sua história. Não vejo grandes vantagens em "bater no ceguinho" como se diria popularmente, pois esta política neste momento, apesar de ter talvez algumas benesses, serviria apenas para perpetuar o tradicionalismo do tecido empresarial português e dar-nos-ia um pouco "mais do mesmo" do modelo que já vimos que deixou de funcionar para Portugal. Do que Portugal precisa é de uma mudança drástica de mentalidades e de atitudes, coisa que estas políticas pecam em não conseguir fazer.

A nível social e político as coisas são mais negras. Os partidos da direita portuguesa parecem ter enveredado por uma política de populismo exacerbado sem precedentes em Portugal desde o 25 de Abril. Os partidos da direita, como já referi em artigos anteriores, habituaram-nos ao discurso alarmista, ao discurso de "boatos" na comunicação social, ao discurso demagógico de caça de votos pueril, em que se procura ganhar vantagem aproveitando um clima de "pânico" e desconfiança que se vive na sociedade portuguesa, e que, a meu ver, é exagerado. Portanto não são erradas as críticas que se lhes fazem - de um certo vazio ideológico, porque na verdade é isso que o discurso populista é, que visa apenas apelar aos instintos mais básicos do nosso povo e evitar a todo o custo a discussão racional das coisas. Portugal precisa de sair do marasmo social que vive desde o início de século. Já há muito que sabemos que o nosso modelo falhou. Durante décadas vivemos sob os auspícios de um Estado autoritarista com fortes influências ideológicas das alas mais conservadoras da Igreja, e todos sabemos também que este modelo apenas nos trouxe dormência social e perpetuou o nosso provincianismo, deixando-nos num "Orgulhosamente sós" perpétuo sem vistas de uma saída ou de uma luz ao fundo do túnel. Pois neste momento Portugal corre o risto de ficar "Humilhantemente só" nas suas políticas. Portugal precisa de sair deste marasmo saloio e aceitar as influências positivas da globalização. Precisamos de uma sociedade mais moderna, mais dinâmica e mais aberta. Precisamos de garantir uma sociedade diversificada, cosmopolita, informada e crítica. Tenho sérias dúvidas que conseguíssemos fazer isso se seguíssemos as políticas que nos oferece a direita em Portugal.

Assim fica claro quem deve ganhar estas legislativas. O povo português deverá compreender o que está em jogo, e que ficou mais ou menos definido aqui, um pouco à minha maneira, mas que penso, consegui descrever bastante detalhadamente.

Avança Portugal!